sábado, 28 de fevereiro de 2015

JUNG SOBRE O YOGA


Quando um método religioso se anuncia como científico, pode ter certeza de obter público no Ocidente. O Yoga preenche essa expectativa. À parte do encanto da novidade e a fascinação por tudo o que é pouco compreendido, o Yoga tem bons motivos para conseguir muitos adeptos. Oferece possibilidades de experiência controlável e assim satisfaz a necessidade científica de fatos. Além disso, em virtude de sua amplitude e profundeza, de sua idade venerável, de sua doutrina e método que abrangem todos os aspectos da vida, ele promete possibilidades nunca sonhadas. Toda prática religiosa ou filosófica pressupõe uma disciplina psicológica, isto é, um método de higiene mental.

Os múltiplos processos puramente corporais do Yoga compreendem também uma higiene fisiológica superior aos exercícios de ginástica e respiração comuns, desde que não é apenas mecanicista e científica, mas é também filosófica. Ao treinar as partes do corpo, estas se unificam com a totalidade do espírito, como se torna bem claro, por exemplo, nos exercícios de prāṇāyāma, onde o prāṇa tanto é o alento com a dinâmica do cosmos...

A prática do Yoga... será ineficiente sem os conceitos nos quais se fundamenta. Ele combina o físico e o espiritual de maneira extraordinariamente completa. No Oriente, onde estas idéias e práticas se desenvolveram, e onde, durante milhares de anos, uma tradição ininterrupta criou as necessárias bases espirituais, o Yoga é, em minha opinião, o método apropriado e perfeito para fundir corpo e mente, de modo a formarem uma unidade inquestionável. Esta unidade cria uma disposição psicológica que possibilita intuições transcendentes à consciência.

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