segunda-feira, 30 de março de 2015

Não use máscaras, seja verdadeiro, custe o que custar 


Lembre-se sempre de ser verdadeiro consigo mesmo. Para isso, é preciso estar atento a três coisas.
Primeiro, nunca ouça alguém que diga o que você tem de ser. Ouça sempre a sua voz interior, o que você gostaria de ser. Do contrário, toda a sua vida será desperdiçada. Há milhares de tentações à sua volta, porque existem muitas pessoas vendendo coisas por aí. Os supermercados, o mundo, as pessoas, todos estão interessados em lhe vender algo. Todo mundo é um vendedor e, se você ouvir vendedores demais, ficará louco. Não ouça ninguém, simplesmente feche os olhos e ouça a sua voz interior. É disso que trata a meditação: ouvir a sua voz interior.

A segunda coisa – que só é possível se você já tiver feito a primeira – é nunca usar uma máscara. Se você está zangado, fique zangado. É arriscado, mas não sorria, pois isso não será verdadeiro. Você aprendeu a sorrir quando está zangado, então o sorriso fica falso, vira uma máscara. É só um exercício com os lábios, nada mais. O coração está cheio de fúria, de veneno, e os lábios sorriem – você se tornou falso.
Outra coisa também acontecerá: quando você quiser sorrir, não conseguirá. Todo o seu mecanismo está revirado, pois quando quis ficar com raiva não pôde. Agora você quer amar, mas, de repente, descobre que o sistema não funciona. Quer sorrir, mas tem de forçar o sorriso. Seu coração está pleno de sorrisos e você quer rir alto, mas não consegue, algo fica reprimido no coração, engasgado na garganta. O sorriso não vem ou, se vem, é pálido e apagado. Não o deixa feliz. Você não se empolga com ele. Não há luminosidade à sua volta.

Quando quiser ficar com raiva, fique. Não há nada de errado em ficar com raiva. Quando quiser rir, ria. O que há de errado em rir alto? Pouco a pouco, verá que todo o seu organismo está funcionando. Dá para notar: sempre que o mecanismo de uma pessoa está funcionando bem, dá para ouvir um zumbido em torno dela. Ela caminha, mas o passo é como uma dança. Fala, mas suas palavras têm uma poesia sutil. Quando olha para alguém, de fato olha: não é indiferente, é calorosa. Quando toca, ela realmente o faz – você pode sentir a energia entrando em seu corpo, uma corrente de vida sendo transferida… Seu mecanismo está funcionando bem.

Não use máscaras. Se fizer isso, criará disfunções e bloqueios em seus sistemas. Existem muitos bloqueios no seu corpo. A pessoa que costuma reprimir a raiva tem os maxilares travados. Toda a raiva vai para os maxilares e fica estagnada ali. As mãos ficam feias. Não têm os movimentos graciosos de um dançarino porque a raiva vai para os dedos e fica ali, bloqueada. Lembre-se, a raiva tem duas fontes. Uma são os dentes, a outra são os dedos, pois todos os animais, quando estão zangados, vão mordê-lo com os dentes ou arranhá-lo com as garras. Portanto, as unhas e os dentes são os dois pontos por onde a raiva é extravasada. Eu tenho a suspeita de que, sempre que a raiva é muito reprimida, as pessoas têm problemas nos dentes. Os dentes estragam porque muita energia se acumula ali sem ser liberada. E qualquer um que reprime a raiva comerá mais – as pessoas com raiva sempre comem mais porque os dentes precisam ser movimentados.

As pessoas com raiva fumarão mais. Falarão mais: podem virar tagarelas obsessivas porque, de algum modo, os maxilares precisam se mover para que um pouco de energia seja extravasada. E as mãos das pessoas com raiva ficarão nodosas, feias. Se a energia tivesse sido liberada, as mãos poderiam ser belas. Se você reprime alguma coisa, existe uma parte do corpo que corresponde a essa emoção. Se não quer chorar, seus olhos perderão o brilho, pois as lágrimas são necessárias. Se você chora de vez em quando, e as lágrimas começam a fluir, seus olhos ficam mais limpos, renovados, jovens, virgens. Lembre-se de que, se você não consegue chorar de verdade, também não consegue rir, pois essa é a outra polaridade. As pessoas que conseguem chorar também conseguem rir. E talvez você já tenha visto isso em crianças: se riem muito e por muito tempo, depois começam a chorar, porque as duas coisas estão ligadas. Os dois fenômenos não são diferentes, é a mesma energia indo para polos opostos.

Portanto, não use máscaras – seja verdadeiro, custe o que custar.
A terceira coisa diz respeito à autenticidade: fique sempre no presente, porque toda falsidade vem do passado ou do futuro. O que passou passou – não se preocupe mais com isso. E não carregue o passado como um fardo; do contrário, isso não deixará que você seja autêntico no presente. Além disso, tudo o que ainda não aconteceu de fato não aconteceu – não fique se preocupando à toa com o futuro, senão isso interferirá no presente e o estragará. Seja verdadeiro no presente e você será autêntico. Estar aqui e agora é ser autêntico.
Osho


quarta-feira, 18 de março de 2015

O que é o amor?



O amor é o encontro orgástico entre a morte e a vida.
A menos que você venha conhecer o amor, você perdeu.
Você nasceu, você viveu e você morreu – mas você perdeu.
Você perdeu o intervalo que há no meio – entre a vida e a morte.
Este intervalo é o pico mais alto, a experiência máxima.
Para atingir o amor, existem quatro passos a serem celebrados.
O primeiro passo:
Esteja aqui e agora – porque o amor só é possível no aqui e agora.
Muitas pessoas simplesmente vivem na memória – elas amaram no passado. E há outras pessoas que amam no futuro.
Essas são maneiras de evitar o amor.
Se você pensa demais – e pensar é sempre do passado ou do futuro – suas energias serão desviadas dos sentimentos.
Um homem demasiadamente envolvido no pensar, pouco a pouco toma um caminho no qual o sentimento não tem vez.
E quando a cabeça se torna o senhor e o coração é deixado para trás, você viverá, você morrerá, mas não saberá o que é Deus, porque não saberá o que é amor.
O sentir está no aqui e agora…
E as pessoas estão se movendo para a cabeça e esquecendo o coração.
Uma pequena minoria ainda vive um pouco no coração, mas essa minoria comete um outro erro: seu amor está muito contaminado por venenos – com ódio, com ciúme, com raiva, com possessividade.
Então toda a jornada se torna amarga.
O segundo passo é:
Aprender a transformar seus venenos em mel…
Nunca faça coisa alguma sob emoção. Enquanto o veneno estiver possuindo você, simplesmente espere.
Não aja quando a raiva estiver no seu ponto mais alto, do contrário você se arrependerá, e criará uma cadeia de reações.
Espere… Quando você estiver com raiva este é o momento de meditar.
Não perca este momento. A raiva está criando tanta energia dentro de você… Ela pode destruir.
Mas a energia é neutra – a mesma energia que pode destruir, pode ser criativa.
Então, simplesmente observe a si mesmo.
Observe todos as suas variações – o assassino, o pecador, o criminoso, o santo, o homem virtuoso dentro de você… Observe Deus, o Diabo.
Conheça todas as suas possibilidades e, ao conhecê-las, você estará descobrindo segredos…
As pessoas são muito egoístas. Só compartilham tristezas. Estão carentes, querem amor e ficam se lamentando esperando que você lhe dê atenção, carinho, amor…
Então, o terceiro passo em direção ao amor é:
Compartilhar, mas compartilhar coisas boas, positivas.
Isso fará seu amor fluir como um rio que nasce em seu coração.
Tudo que houver de belo em você, jamais o acumule.
Compartilhe sua sabedoria, sua oração, compartilhe seu amor, sua felicidade, seu prazer.
Acumular envenena o coração.
E quando der, não se importe se será retribuído ou não.
Nem mesmo espere por um “muito obrigado”. Pelo contrário, sinta-se grato à pessoa que lhe permitiu compartilhar com ela.
E o quarto passo…
Seja um nada, um ninguém.
No momento que você passa a acreditar que é alguém, você pára; então o amor não flui.
Quando você está vazio, existe amor.
Quando você está cheio de ego, o amor desaparece.
O amor e o ego não podem existir juntos.
Portanto, seja um ninguém.
Ser um ninguém é a fonte de tudo, é a fonte do infinito…
Nada significa o Nirvana – Deus.
Seja nada – e sendo nada, você terá alcançado toda a existência – você terá chegado em casa.
Osho